O amor é, sem dúvida, a base de tudo. Não uma noção de amor abstracta e difícil de compreender, mas a forma quotidiana que todos conhecemos – o tipo de amor que sentimos quando olhamos para o nosso cônjuge ou para os nossos filhos, ou mesmo para os nossos animais. Na sua forma mais pura e mais poderosa, este amor não é ciumento nem egoísta, mas incondicional. Esta é a realidade das realidades,a incompreensível e gloriosa verdade das verdades que vive e respira no centro de tudo o que existe ou que existirá, e nenhuma compreensão exacta de quem somos ou do que somos pode ser alcançada se não soubermos isto ou se não o abraçarmos em todas as nossas acções.
Só conseguimos ver o que o filtro do cérebro deixa.
O verdadeiro pensamento é pré-físico. É um pensamento por detrás do pensamento e é responsável por todas as escolhas verdadeiramente consequentes que fazemos neste mundo. Um pensamento que não depende da dedução linear, mas antes que se desloca tão depressa como os relâmpagos e que faz ligações a diferentes níveis, unindo tudo. Perante esta inteligência interior e livre, o nosso processo de pensamento comum é irremediavelmente lento e desajeitado. É este modo de pensar que marca o golo, que intui a descoberta científica ou que escreve a canção inspirada.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Uma prova do céu
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Vida de adulto
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Muito, meu amor
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
A viagem do elefante
Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.
Que é um acto poético, perguntou o rei, Não se sabe, meu senhor, só damos por ele quando aconteceu.
A julgar pela altura o sol, deviam ter andado umas três horas, maneira de dizer demasiado conciliatória porque uma parte não pequena desse tempo tinha-a gasto salomão a tomar banhos no tejo, alternando-os com voluptuosas chafurdices na lama, o que, por sua vez, era motivo, segundo a lógica elefantina, para novos e mais prolongados banhos.
Como o boieiro não sabia cavalgar, um caso flagrante, como se vê, das consequências negativas de uma excessiva especialização profissional, içou-se com dificuldade para a garupa do cavalo do sargento e lá foi, rezando, numa voz que ele próprio mal conseguia ouvir, um interminável padre-nosso, oração da sua especial estima por aquilo que nela se diz de perdoar as nossas dívidas. O mal, que em tudo está, e às vezes até deixa o rabo de fora para que não tenhamos ilusões sobre a natureza do bicho, vem logo na frase seguinte, quando se diz que é obrigação nossa de cristãos perdoar aos nossos devedores. O pé não joga com a chinela, ou uma coisa ou outra, resmungava o boieiro, se uns perdoam e outros não pagam o que devem onde está o benefício do negócio, perguntava-se.
O comandante da cavalaria e o homem que viaja em cima, Em cima de quê, De deus, do animal. O cura respirou fundo, sujeitou o ânimo que o estava impelindo a maiores extremos e perguntou, Vocês estão bêbados, Não, senhor padre, respondeu o coro, é difícil estar bêbado nos tempos que correm, o vinho está caro.
[…] para o limpar de qualquer possessão diabólica que haja sido introduzida pelo maligno na sua natureza de bruto, como aconteceu aos dois mil porcos que se afogaram no mar da galileia, como deveis estar lembrados. Abriu espaço para uma pausa, e logo perguntou, Entendidos, Sim senhor, responderam todos, excepto o porta-voz que ia tomando cada vez mais a sério a sua função, Senhor padre, disse, esse caso sempre me fez confusão na cabeça, Porquê, Não percebo por que tinham esses porcos que morrer, está bem que jesus tenha feito o milagre de expulsar os espíritos imundos do corpo do geraseno, mas consentir que eles entrassem nuns pobres porcos que nada tinham que ver com o caso, nunca me pareceu uma boa maneira de acabar o trabalho, tanto mais que, sendo os demónios imortais, porque se não o fossem deus ter-lhes-ia acabado com a raça logo à nascença, o que eu quero dizer é que antes que os porcos tivessem caído à água já os demónios se haviam escapado, em minha opinião jesus não pensou bem, E tu quem és para dizeres que jesus não pensou bem, Está escrito, padre, Mas tu não sabes ler, Não sei ler, mas sei ouvir, Há alguma bíblia em tua casa, Não, padre, só os evangelhos, faziam parte de uma bíblia, mas alguém os arrancou de lá, E quem os lê, A minha filha mais velha, é verdade que ainda não consegue ler de corrido, mas, graças às vezes que já leu o mesmo, vamos percebendo-a cada vez melhor, Em compensação, o pior é que, com tais pensamentos e opiniões, se a inquisição aqui chega serás o primeiro a ir para a fogueira, A gente de alguma coisa terá de morrer, padre, Não me venhas com estupidezes, deixa-te de evangelhos e dá mais atenção ao que eu digo na igreja.
[…] lembrai-vos, o povo unido jamais será vencido.
Arriscamo-nos a dizer que está por estudar a importância dos intendentes, mas também dos varredores de ruas, no regular funcionamento das nações.
Imagine vossa paternidade que eu levo lá o elefante e ele se recusa a ajoelhar-se, embora eu não entenda muito desses assuntos, suponho que pior que não haver milagre é encontrar-se com um milagre falhado, Nunca terá sido falhado se dele ficaram testemunhas, E quem vão ser essas testemunhas, Em primeiro lugar, toda a comunidade religiosa da basílica e quantos cristãos dispostos consigamos reunir à entrada do templo, em segundo lugar, a voz pública que, como sabemos, é capaz de jurar o que não viu e afirmar o que não sabe, Incluindo acreditar em milagres que nunca existiram, perguntou o cornaca, São esses os mais saborosos, dão trabalho a preparar, mas o esforço que pedem é em geral compensador, além disso, aliviamos de maiores responsabilidades os nossos santos, E as de deus, A deus nunca o importunamos para que faça um milagre, é preciso respeitar a hierarquia, quando muito recorremos à virgem, que também é dotada de talentos taumatúrgicos, Quer-me parecer, disse o cornaca, que pela vossa igreja católica anda muito cinismo, Talvez.
Nem precisas de saber, basta que tenhas fé, Fé em deus, ou no meu elefante, perguntou o cornaca, Em ambos, respondeu o padre, E quanto vou eu ganhar com isto, À igreja não se pede, dá-se.
Confiemos na benevolente compreensão divina dos factos deste mundo, se deus, como supomos, quer ser servido, convirá que dê uma ajuda aos seus próprios milagres, aqueles que melhor falarão da sua glória, Irmãos, a fé pode tudo, deus obrará no que faça falta, Amém, vozeou em coro a congregação preparando em mente o arsenal de orações adjuvantes.
Quem diria que a moral nem sempre é o que parece e que pode ser moral tanto mais efectiva quanto mais contrária a si mesma se manifeste.
Não ordenou, […] apenas deu a entender, o que demonstra uma vez mais que o respeito pelos sentimentos alheios é a melhor condição para uma próspera e feliz vida de relações e afectos. É a diferença entre um categórico Levanta-te e um dubitativo E se tu te levantasses.
Como já deveríamos saber, a representação mais exacta, mais precisa, da alma humana é o labirinto.
Se toda a gente fizesse o que pode, o mundo estaria com certeza melhor.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Odisseia
[sem citar passagens porque agora não me apetece]
O Ulisses vivia na Grécia, a Antiga (com maiúscula). Depois foi para a guerra, a de Tróia, tão famosa que deu filme. Lá pelo meio há também o calcanhar, o do Aquiles. Mas isso é na Ilíada (que é uma derivação do nome Tróia, que na altura parece que também se dizia Ílion). Depois o Ulisses volta a casa. Mas como os deuses são muitos e desocupados, a viagem tem tanto enredo que dá direito a poema. Poema que vira prosa. Prosa que vira livro (muitos, em muitas versões).
Tudo isto foi contado pelo Homero, que, pelos vistos, tinha jeito para poemas e assim se safava à guerra. Mas há quem diga que ele nunca existiu. Por isso é que eu não citei nada do livro. Não quero estar para aqui a contar mentiras.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Como me tornei estúpido
Antes de tomar a decisão que iria mudar a sua vida de muitas maneiras, antes portanto de se tornar estúpido, Antoine tentou outras vias, outras soluções para resolver a sua dificuldade em participar na vida.
Vendo o quanto o pensamento dos bêbedos era vago e desligado de toda a realidade, o quanto as suas frases se ficavam pela incoerência e, a coroar tudo isso, tinham a ilusão de debitar soberbas verdades, Antoine decidiu aderir a essa prometedora filosofia.
Cinco minutos mais tarde, uma ambulância parou derrapando no passeio diante do Le Capitaine Éléphant. Dois enfermeiros entraram no bar com uma maca e levaram Antoine em coma alcoólico. No balcão, o seu copo de cerveja estava ainda meio cheio.
- S.P.T.P.T.M., Suicídio Para Todos e Por Todos os Meios, bom-dia! – anunciou uma jovem numa voz cantante.
- Bom-dia… soube da vossa existência através de uma amiga e interessava-me o vosso curso.
Ao sair, passou pela pequena loja da associação, a qual propunha, numa maravilhosa decoração de casa de bonecas, belas cordas, brochuras, livros, armas, venenos, amanitas phalloides secas, bem como o necessário para acompanhar uma bela morte: vinhos, iguarias finas, música.
Aslee teve a sorte, relativa, de ficar apenas com perturbações mentais, que lhe alteraram o desenvolvimento cerebral. [...] Outra consequência daqueles boiões para bebé sobredosados em fósforo era que Aslee brilhava no escuro. Era mesmo bonito.
[…] Antoine anunciou aos amigos a sua intenção de se tornar estúpido.
“O que aumenta o conhecimento, aumenta o sofrimento”
A inteligência é um falhanço da evolução. […] Mas olhando mais atentamente a vida da tribo, percebe-se que alguns garotos não participam nas actividades do grupo: ficam sentados perto do fogo, abrigados no interior da gruta. […] A natureza, ao pô-los no mundo, titubeou. Na tribo, há um miúdo cego, um garoto coxo, outro desastrado e distraído… Por isso ficam no acampamento todo o dia, e como não têm nada que fazer, e os jogos de vídeo ainda não foram inventados, são obrigados a pensar e a deixar correr o pensamento. […] Foi assim que nasceu a civilização: por causa de uns gaiatos imperfeitos que não tinham nada que fazer. Se a natureza não estropiasse ninguém, se a matriz fosse sempre perfeita, os homens ter-se-iam mantido uma espécie de proto-hominídeos, felizes, sem qualquer ideia de progresso, vivendo perfeitamente sem o Prozac, sem preservativos nem leitores de DVD com dolby digital.
Tenho a maldição da inteligência; sou pobre, celibatário, deprimido.
Há um provérbio chinês que diz, mais ou menos, que um peixe nunca sabe quando urina.
- Só quero pensar menos, Ed.
- O Heurozac tem uma acção tranquilizante e antidepressiva. É exactamente o que precisas.
Primeira etapa. Enviou uma carta de demissão à Universidade Paris V René-Descartes.
Segunda etapa. Desembaraçou-se de tudo o que pudesse estimular-lhe o espírito.
Depois de interessantes visitas a alguns vizinhos que considerava terem excelentes defesas imunitárias contra a inteligência, tomou nota do que constituiria uma decoração perfeita para a sua nova vida.
- Imagino, portanto – disse-lhe Granja -, que as nossas partidas de xadrez são coisa do passado?
- Por agora, sim. Mas proponho que as substituamos por partidas de um outro jogo que os meus vizinhos me deram a descobrir. Chama-se Monopólio. O objectivo do jogo é simples: é preciso ganhar dinheiro, ser hábil, comportar-se como um bom capitalista imbecil. É fascinante.
O Heurozac começava a agir. Antoine andava menos tenso e deixara de sentir dúvidas e angústia. A alquimia que se estava a dar no seu cérebro e no seu sistema nervoso transformava o “chumbo” da realidade numa luminosa poeira dourada e colorida.
Estava a instalar-se lentamente na normalidade quando se decidiu a passar o teste supremo que provaria o êxito da sua integração: o McDonald’s.
[…] inscreveu-se num grande salão de musculação, luminoso e moderno, com plantas exóticas suspensas do tecto.
A história resolveu-se rapidamente: Raphi queria contratar Antoine.
Antoine deu-se conta de que, ao tornar-se rico, tinha feito apenas metade do caminho: era preciso agora desejar as coisas que os ricos desejam.
Com todas estas mudas, podemos dizer que Antoine se tornara numa espécie de cobra. Já pouco tinha que ver com o ser humano que fora outrora, como se tivesse mudado de espécie.
- Tinhas-te tornado num zombie e nós deszombificámos-te. Missão cumprida.
- Por que é que não se pode criticar as pessoas, achá-las estúpidas e imbecis, e somos logo azedos e invejosos?
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Quase gosto da vida que tenho
O mais nobre é a justiça e o mais desejável a saúde; mas o que há de mais doce é encontrar o que se ama.
Talvez a tua lenta melancolia se dissipe se à noite a um veloz comboio a confiares.
Não sei para o que vim. Sei por que tive de vir: para escapar ao que me sufocava. Como se não houvesse outro lugar, outra cidade. Como um estilhaço de ferro é atraído por um íman. Agora devo esperar que algo aconteça, sem ter a mínima certeza de que vai acontecer, com a angústia acrescida de que algo aconteça sem que eu dê por isso, de falhar o inesperado. É preciso, creio, distinguir o que se sabe do que não se sabe; e o que não se sabe do que nem sequer se sabe que não se sabe. O que não sei que não sei é decisivo.
Comecei a chorar de manhã, à tarde e à noite. A chorar sem saber por que chorava. A chorar só. Comecei a tomar demasiados comprimidos, a beber cervejas a toda a hora, a fumar dois maços de cigarros. Não deixava de ser insuportável. Só quando dormia era suportável. Tive de fazer a mala com as poucas forças que me restavam e fugir dali num derradeiro acesso de lucidez ou de inconsciente coragem.
As pessoas são animais cheios de necessidades que satisfeitas logo renascem numa sucessão infinita e sem sentido.
Chegava a casa, tomava um banho que a lavasse da sujidade do dia, ia buscar um copo de leite ao frigorífico e estendia-se sobre a cama onde recomeçava a ler o livro que tinha deixado aberto e a transportava ara um mundo mais belo, digno e verdadeiro, o único que merecia a pena ser vivido.
Quando as perguntas começam a interessar é que as respostas começam a falhar.
Qualquer ser humano é, se formos a ver de perto, insuportável para si e para os outros.
Por mim, quando me fizessem uma pergunta, qualquer uma, sentava-me ao piano e punha-me a tocar. Era o que faria. Cada qual que entendesse a resposta à sua maneira. Detesto impor a minha opinião, porque tenho várias e contraditórias.
Mas naqueles anos eu era um puritano, um extremista, um grande nervoso, enfim, exactamente o mesmo que sou hoje só que visto de outra perspectiva.
Sinto o meu corpo bem disposto – os corpos, não só a cabeça, também podem estar bem dispostos.
O desconhecido também pode ser uma companhia.
No céu persistem as estrelas que já morreram há milhares de anos.
Precipitadamente acontecem coisas que a todo o momento nos alteram, modificando o mundo, matando o eu anterior para que possa ressuscitar o mesmo eu posterior, só que ligeiramente diferente, ou então muito diferente. Como me reconhecer a mim mesmo?
Saudades de mim. De quem nunca fui.
Eu não queria. Eu nunca quis. Minto. Eu quis quando não sabia o que queria.
As imagens, paradas ou em movimento, são mais ambíguas, mais perigosas. Se a palavra engana, uma imagem pode enganar muito mais.
A imagem tem o poder de enganar muito, a palavra tem o poder de mentir muito.
A música não chega para salvar uma alma inquieta.
Tatiana não chores, só o presente dói, nenhuma história acaba.
Mantinha os olhos fechados, embora não tivesse a intenção de adormecer. Os olhos fechados, assim como o corpo fechado, eram a maneira que tinha de se proteger da violência das coisas, de reencontrar dentro de si a beleza da frágil flor azul. Desde pequena que usava aquele estratagema para se libertar do peso bruto e sem sentido de tudo a que desconhecia a origem e o fim. Protegia-se no seu corpo, fechava os olhos e trazia à consciência uma pequena flor azul, magnífica e eterna. Isso trazia-lhe serenidade. Não sabia porquê nem se perguntava porquê.
Ainda é possível o amor? O que é o amor? Só o silêncio respondia.
O coração batia-lhe tão alvoraçado como se quisesse escapar para outro lugar. Outras vezes uma paz envolvia-a como se estivesse atacada por uma espécie de morte. Estas mudanças intrigavam-na.
Você tem um nome? Para que serve um nome? Um nome não quer dizer nada.
Fui-me conservado a mim próprio pelo respeito de nunca saber quem era, o que seria, de ignorar o que se estava a passar, o que por mim passava, aquilo a que chamamos tão inconscientemente vida.
Sou quem fui, quem serei, o mesmo adulto enquanto criança, a mesma criança enquanto adulto e a aparência física é só o estranho disfarce quem tem de ser.
Quem terá mão no amor, perguntava-me Lia baixinho ao ouvido. Quem o poderá controlar?
Na noite profunda morrem as estrelas. Uma dor me inunda: amor de coisas belas.
Estamos condenados a sermos nós, só nós, apenas nós. E queremos ser tudo e todos, e o infinito, e Deus.
Um dia e depois outro, uma hora e depois outra, um segundo e depois outro, numa sucessão infinita e indiferente. O espaço pode causar claustrofobia, mas o tempo consegue sufocar a alma.
Julgo sofrer o suficiente.
Nada tinha de ser como devia e nenhuma delas precisava de saber o esquecimento dos dias que, inexorável, se aproximava.
Ter a coragem. Ir buscar forças onde não as tenho. Impedir que o terror das horas futuras me paralise. Adivinhar sentido onde menos se encontra. Substituir o medo pelo que quer que seja.
As coisas não correm como eu queria. Não acontece o que eu esperava. É-me difícil ter mão no que vou sendo. Cresço e vivo e morro a todo o instante. Mas hoje não me revolto. Quando era novo, lembro-me, era uma constante luta com sucessivos desesperos. Hoje o tempo passa por mim com uma tranquilidade constante. Vencido, libertei-me. Mas é só agora. Ainda ontem não foi desta maneira e no dia que virá desconheço por completo a minha vida. É verdade que quero desconhecê-la, que desejo mais do que tudo que aconteça o inesperado, o inomável, o que nem sequer existe. Só o inesperado salva os dias da indiferença absoluta.
A morrer, a morrer de cansaço, exaustos, a morrer de viver.
No meu fim está o meu começo. Não pode ser de outra maneira. Para começar tive de acabar contigo. Estranhos dias.
O amor deve ser um bicho estranho.






