quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Diz que é uma espécie de justificação

Escrevi sobre o Gato Fedorento e deixei algumas coisas por dizer que agora aqui partilho porque me parecem determinantes para a minha actual opinião acerca destes quatro marmanjos, salvo seja.

Comecei a acompanhá-los ainda na Sic Radical, quando poucos os conheciam e lhes reconheciam valor. Na altura ainda em forma de dupla e só mais tarde, independentemente, já com os quatro.

Aí os meios ainda eram escassos e percebia-se isso perfeitamente a cada sketch realizado com maior recurso à imaginação do que a qualquer outra coisa. Mas ainda assim o programa ampliou cada vez mais os fãs. Porque tudo o que faziam e diziam era bom. Desde as piadas mais parvas, simples piadas, às críticas ou apontamentos acerca do país, dos costumes ou da actualidade.

A ida para a RTP1 marca o momento em que os Gato ganharam oficialmente fama e louvor dos portugueses, sem que isso lhes tenha influenciado as muitas capacidades. Criaram um novo programa, cortaram com o passado, mantiveram o humor e a inteligência.

Pelo meio fizeram muitas outras coisas de reconhecido valor, até a título individual, como foi o incidente do cartaz do PNR e sua resposta fedorenta, ou as crónicas em diferentes periódicos.

A questão é que, no meio de tudo isto, os Gato foram conquistando cada vez mais os portugueses. Em especial o RAP (parece que somos todos muito amigos dele portanto todos o temos de tratar por RAP, embora eu estivesse mais inclinada para Richie.. margem sul e tal..) com as suas fabulosas imitações de personagens da nossa praça pública ou simplesmente com os seus personagens castiços, em muito graças à sua querida avó nortenha (grande bem-haja!). E, dizia eu, o problema de se conquistar uma tamanha massa de gente que, diga-se, tem mais orgulho em saber qual foi a piada que os Gato fizeram acerca de um tema do que em conhecer primeiro o dito tema e saber depois o que foi dito/escrito/feito acerca dele para perceber a essência da piada, é que se começa a ser louvado por pouco mais que existir.

Arrisco dizer que neste momento o RAP podia apresentar o Zé Carlos sozinho e em mandarim que as pessoas achariam todas um piadão, mesmo que ele lhes estivesse a chamar otários (como muitas vezes está, diga-se!). E isso é redutor. É desmotivante. Para eles. Digo eu.