segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

O Principezinho

- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu educadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui, debaixo da macieira - disse a voz.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho - És bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Vem brincar comigo - pediu-lhe o principezinho - Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo - disse a raposa - Ainda ninguém me cativou...
- Ah! Então desculpa! - disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer "cativar"?
- Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa - De que andas tu à procura?
- Procuro amigos - disse - Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida - disse a raposa - Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exactamente - disse a raposa - Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Serás único no mundo para mim. E eu serei única no mundo para ti...
- Parece-me que estou a perceber - disse o principezinho.
Mas a raposa voltou a insistir:
- A minha vida é terrivelmente monótona. Às vezes aborreço-me muito. Mas, se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer o barulho de uns passos diferentes de todos os outros. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música.
A raposa calou-se e ficou a olhar para o principezinho durante muito tempo.
- Por favor, cativa-me! - pediu ela.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...

- Só conhecemos bem o que cativamos - disse a raposa - Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja. Compram tudo já feito aos vendedores. Mas como não existem vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
- E tenho de fazer o quê? - perguntou o principezinho.
- Tens de ter muita paciência. Primeiro, sentas-te longe de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas podes sentar-te cada dia um bocadinho mais perto...
- Agora vou contar-te um segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos... Os homens já se esqueceram desta verdade, mas tu não a deves esquecer. Ficas eternamente responsável por aquilo que cativas.

5 inputs:

il disse...

às vezes gostava de ter uma máquina do tempo...
uma borracha
uma tesoura
uma cola

apagar recortar e colar pedacinhos de tempo... mas aos poucos apercebo-me das asneiras e que o mundo não é uma doce ilusão de sonhos... é feio e doi.

independentemente disso ainda uso a t-shirt do principezinho que a minha irmã me ofereceu quando fiz 10 anos... bem muito velha por sinal!

maria disse...

como sp! :D

Mary Mary disse...

O Principezinho é eterno... :)

Anónimo disse...

Eu não me esqueci dessa verdade...mas confesso que sinto que jamais conseguirei cativar o que quer que seja...

Thiago disse...

Tem piada que ainda ontem/ anteontem vi na BBC Prime um musical desta fantástica obra que acima de tudo é uma bonita lição de vida.

Obrigado por reproduzires um dos excertos que mais me marcou.

Um beijinho